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Segunda-feira, Outubro 31, 2005
só pra avisar que cheguei bem.
11:07 PM
pois muito que bem. estou no galeão. embarco para florianópolis daqui a pouco. amanhã lanço o livro lá, depois vou pra porto alegre, feira do livro + lançamento. não pára de chover. acho que devia ter visto menos Lost.
11:46 AM
Sexta-feira, Outubro 28, 2005
pra cantar bem alto ...
Tiritas pa este corazón partío.
Tiritas pa este corazón partío,
Ya lo ves, que no hay dos sin tres,
que la vida va y viene y que no se detiene...
Y, qué sé yo,
pero miénteme aunque sea, dime que algo queda
entre nosotros dos, que en tu habitación
nunca sale el sol, ni existe el tiempo,
ni el dolor.
Llévame si quieres a perder,
a ningún destino, sin ningún por qué.
Ya lo sé, que corazón que no ve
es corazón que no siente,
o corazón que te miente amor.
Pero, sabes que en lo más profundo de mi alma
sigue aquel dolor por creer en ti
¿qué fue de la ilusión y de lo bello que es vivir?
Para qué me curaste cuando estaba herío
si hoy me dejas de nuevo con el corazón partío.
¿Quién me va a entregar sus emociones?
¿Quién me va a pedir que nunca le abandone?
¿Quién me tapará esta noche si hace frío?
¿Quién me va a curar el corazón partío?
¿Quién llenará de primaveras este enero,
y bajará la luna para que juguemos?
Dime, si tú te vas, dime cariño mío,
¿quién me va a curar el corazón partío?
Tiritas pa este corazón partío.
Tiritas pa este corazón partío.
Dar solamente aquello que te sobra
nunca fue compartir, sino dar limosna, amor.
Si no lo sabes tú, te lo digo yo.
Después de la tormenta siempre llega la calma.
pero, sé que después de ti,
después de ti no hay nada.
Para qué me curaste cuando estaba herío
si hoy me dejas de nuevo con el corazón partío.
¿Quién me va a entregar sus emociones?
¿Quién me va a pedir que nunca le abandone?
¿Quién me tapará esta noche si hace frío?
¿Quién me va a curar el corazón partío?
¿Quién llenará de primaveras este enero,
y bajará la luna para que juguemos?
Dime, si tú te vas, dime cariño mío,
¿quién me va a curar el corazón partío?
¿Quién me va a entregar ...
"Corazón Partío"
Alejandro Sanz
12:40 AM
Quinta-feira, Outubro 27, 2005
ah, vai passar dia 21, 14:30h, na Band
10:54 AM
ontem a gente fez uma matéria pra BandRio, sobre o Travessia Poética, que vem a ser um evento que vai levar poesia para as pessoas durante a travessia rio-niterói. Filmaram o que seria um "protótipo", um "númerozero" do evento. Duas poetisas cariocas vieram de lá pra cá, encontraram com a gente, e dois poetas ( eu, um deles )foram daqui pra lá, poetando. tudo comandado pelo almirante Tavinho Paes. Foi na barca, e não no catamarã. Na hora, ficou a dúvida se gravavam na parte de cima ou na de baixo. Palpitei na de baixo, e assim foi. Pq, não sei se vcs sabem, qdo ainda nem tinha catamarã, as guerreiras barcas eram o único meio de transporte decente entre Rio e Niterói por mar, para atravessar a baía. Pq os aerobarcos eram caríssimos e muito ruins. Então, barcas. E tinha aquilo de o pessoal mais abastado ir na parte de cima, e os mais humildes, na de baixo. Diz que isso vem desde não sei que época, qdo o negócio era oficial, separado mesmo. A burguesia em cima, os trabalhadores embaixo. O de cima sobe, o de baixo desce. A proibição acabou, mas ficou meio que definido assim até hoje. Daí a minha preferência por gravar embaixo. Pq gente humilde é menos fechada pra esse tipo de coisa. os pretensamente superiores ficam sempre com aquele arzinho quem-me-incomoda. Dito e feito, a recepção foi calorosa, a gravação foi um sucesso e passei a acreditar no "evento". Pq antes não acreditava e já tinha pedido para me incluírem fora dessa. Pq o Tavinho queria ( ainda quer ) fazer no catamarã, na travessia rio-charitas, público AA. Fico imaginando aquela gente engravatada, voltando do Forum ou de alguma happy our no Rubro Café, escutando poesia ...
Diálogo imaginário, na saída do catamarã, em Charitas:
Engravatado 1: E aí, como estão as coisas?
Engravatado 2: Tudo indo, tô voltando do Fórum, hoje o dia foi cheio ...
E1: Cheio de mulhé, né, aquele Fórum é uma beleza, né, hehehe
E2: Pois é, tem uma estagiariazinha que tá dando um mole danado ...
E1: Pega logo, pega logo!
E2: Tá indo pra onde?
E1: Vou dar uma passada no Paludo pra tomar um whiskizinho ... vamos lá?
E2: Não vai dar, tem um "pessoalzinho" me esperando no Porcão, doida pra levar uma dura, hehehe
E1: Então, blz!
E2: E o que foi isso no catamarã, hein?
E1: Pois é, esses evangélicos, não satisfeitos com as barcas, estão atacando até no catamarã ....
10:14 AM
Segunda-feira, Outubro 24, 2005
eu odeio tudo que se apresenta como "um novo conceito em ..."
1:34 PM
frase para a minha lápide:
Ê VIDA!
10:29 AM
Domingo, Outubro 23, 2005
Outro dia escrevi aqui que o samba que eu queria ter feito era DISRITMIA do Martinho da Vila. Pois agora minha mãe me diz que esse era o samba do meu avô. Que meu Tio Robson até comprou o lp na época por causa dessa música. Que o velho era chegado numa cachaça eu sabia, pois bebia um copinho ( "de aperitivo" dizia ), todo santo dia, até os 94 anos, qdo foi embora. O apelido do Zé Gonzaga ( meu avô de Minas ) era Seu Nego, todo mundo chamava ele assim. Sô Nego, claro, mineiramente falando. Foi aquele avô que me ensinou tudo errado e me salvou a vida, como dizia o Jabor. E me ensinou tb a pescar, construir arapuca pra passarinho, essas coisas sítio-do-picapau-amarelo. Nos seus últimos meses, já com uma catarata avançada, fazia dengo com as netas e fingia enxergar bem menos que realmente enxergava. Uma vez estávamos na sala, e o relógio de parede, bem distante, até para mim e minha miopia, e ele disse: "Já tá na hora do jornal!" e depois, como que percebendo a mancada, me pediu para ver que horas eram ...
Meu Tio Robson. Era o mais carioca dos juizforanos, acho que ele tinha que ter nascido na Lapa. Não podia ver mulher. Tb bebia com gosto, como o pai. Tb me ensinou um monte de coisa errada, como o pai. Mas me ensinou a dirigir e a montar a cavalo. E alguns conceitos de vida que levo comigo até hoje. Uma vez estávamos aqui no Rio, eu tinha descido pra comprar pão, e na esquina sempre tinha uma roda de samba daquelas bem boas mesmo. Estava eu subindo com os pães, encontro com ele no elevador e ele me pergunta o que estava acontecendo lá embaixo. Falo da roda e ele: Então peraí que eu vou voltar e calçar os meus tamancos brancos (!!!). E foi e voltou só no dia seguinte. E eu com meus doze anos aprendendo o que é a vida.
Foi embora antes do meu avô, e na missa de 7º dia sentei ao lado do Sô Nego, e vi, pela primeira vez, o velhinho chorar. Acho que deveria ser proibido um neto ver o avô chorar.
No enterro do meu irmão, meu Tio Robson ficou o tempo todo longe da família, com o olhar mais longe que ele. Morreu um mês depois. Acho que o céu ganhou um trio da pesada.
Mortes, Mortes, Mortes.
10:14 PM
Sexta-feira, Outubro 21, 2005
Imensa como o ciclo
imaginado de galáxias
em crise, a nudez seria
febre, usina prestes
à entrega urgente
a quem nada soubesse,
a quem atraído fosse
pelos indícios de um
gozo irreversível,
volúpia máxima que,
única, descabelasse
de vez as manhãs há
muito insuportáveis.
"Último" Marcelo Diniz
9:07 PM
Segunda-feira, Outubro 17, 2005
Brindo à casa
Brindo à vida
Meus amores
Minha família
Atirei-me ao mar
Mar de gente
onde eu mergulho
sem receio
Mar de gente
Onde eu me sinto
por inteiro
Eu acordo com uma
ressaca guerra
Explode na cabeça
e me rendo
a um milagroso dia
Essa é a luz que
eu preciso
luz que ilumina a cria
e nos dá juizo
voltar com a maré
sem se distrair
Tristeza e pesar
sem se entregar
Mal, mal vai passar
mal vou me abalar
Esperando
verdades de criança
Um momento bom
Como lembrança
(voltar com a maré
sem se distrair)
Navegar é preciso
Se não a rotina te cansa
(Tristeza e pesar
sem se entregar)
Interesses na babilônia
nevoeiro
Poços em chamas
tiram proveito
Passa
É passageiro
Arte ainda se
mostra primeiro
Uma onda segue
a outra assim o mar
olha pro mundo
Mar de gente - O RAPPA
1:41 PM
Sexta-feira, Outubro 14, 2005
diz que agora a moda é comer tapioca de madrugada na feira da Glória, "muda" de "mudernos", claro. Fica aquele povo todo, alternativo, claro, com ar superior, claro, comendo tapioca e fazendo biquinho de entendido ( em tapioca ) como se tivesse comido isso a vida inteira. bom para o tio que vende. mas não dá, né? uma gente que se acha in por comer tapioca!?! já foi assim com açaí e com o bom e velho angu do gomes. às vezes uma louça pra lavar faz uma falta ...
em breve, na programa, vejinha e rio show.
11:13 AM
Também já estive aí, no não-lugar
onde você agora não se encontra.
Também não me encontrei.
Aliás, foi justamente contra
a tal necessidade de seguir alguma
rota que jurei lutar. Lutei, perdi.
e pronto: agora estou aqui,
a alguns centímetros do meu próprio umbigo.
Se tudo correr bem, também a tua derrota
vai ser de bom tamanho. Pode contar comigo.
Paulo Henriques Britto
11:05 AM
e como lhe era de praxe,
despistou os presentes
e foi-se de fininho
pela porta lateral.
Omar Salomão, em seu livro de estréia "à deriva"
poema para seu pai, Waly Salomão
11:02 AM
Quinta-feira, Outubro 13, 2005
Dentro do pescoço
o poço, vazio,
caindo intempestivamente
até que o fio
da expiração se estique
o ar arrebente o dique
do que insiste em ser
oco, ainda um pouco
mais, reluta
frente à onda absoluta
de agulhas de luz que infesta
como insetos a uma fruta, o peito
- como o fogo a uma floresta.
Claudia Roquette-Pinto
11:16 AM
Quarta-feira, Outubro 12, 2005
que há comigo que assim
me faz estremecer ao ouvir vozes?
seguramente a quem quer que me fale
com a voz certa,
a ela ou ele hei de seguir
como a maré segue a lua
silenciosamente a passos fluidos
por toda parte ao redor do globo
Tudo está a espera das vozes certas.
Onde está o órgão prático e treinado?
Onde está a alma desenvolvida?
Pois eu vejo cada palavra nova
pronunciada com novos sons,
mais doces, impossíveis
em outros termos
Vejo fechados lábios e cérebros,
têmporas e tímpanos intocados
- até chegar a pessoa
que tenha o dom de tocar e abrir,
até chegar a pessoa que tenha o dom
de levar adiante o que dormitando jaz
em todas as palavras sempre pronto.
"Vocalismo"
Walt Whitman
8:48 PM
Terça-feira, Outubro 11, 2005
Esse é o samba que eu queria ter feito ...
Disritmia - Martinho da Vila
Eu quero me esconder debaixo dessa sua saia pra fugir do mundo
Pretendo também me embrenhar no emaranhado desses seus cabelos
Preciso transfundir seu sangue pro meu coração que é tão vagabundo
Me deixa te trazer um dengo pra num cafuné fazer os meus apelos
Eu quero ser exorcizado pela água benta desse olhar infindo
Que bom ser fotografado mas pelas retinas desses olhos lindos
Me deixe hipnotizado pra acabar de vez com essa disritmia
VEM LOGO VEM CURAR SEU NEGO QUE CHEGOU DE PORRE LÁ DA BOEMIA
12:07 PM
Segunda-feira, Outubro 10, 2005
BISCOITOS FINOS DE ARGAMASSA
1.
Visto a minha alma de felicidade
e ela, toda embecada,
me convida para sair.
2.
Não é possível
que eu não possa dar ¿undo¿
nos meus pensamentos
e achar que tudo na vida
são outros quinhentos
Não é possível
que eu não enxergue um palmo
além do meu nariz
quando o assunto é tratar
de ser feliz
Não é possível
que eu tenha tantos umbigos
e mais senhas
que amigos.
3.
Minha maré esvazia
meia luz nada lua
sinto aqui dentro
o que me venta
abaixo de zero
minha maré esbraveja
e o meu mau humor
é a falta de areia
no arpoador
4.
Eu quero uma estrela do mar
e seus silêncios
uma estrela, do mar
com seus brilhos mudos
para me ensinar
a ficar assim, tão quieto
e falar tanto
eu quero uma estrela do mar
e sua imensidão contida.
5.
Meus anzóis
andam com iscas
artificiais
meu maracanã,
vazio de tudo
e meus fantasmas
acreditando piamente
que eu existo.
6.
Dentro do meu peito mora gente
disfarçada de tambor
que enchem artérias
e vasodilatam-se por entre escolas
de sangue bom
disparam rumores
pulsam boatos
de verdades absolutas
dentro do meu peito
bate um zeca pagodinho
7.
Em mim não cabem dietas
nem levezas
nunca fui light
meus ingredientes
são carregados de colesterol
sou pesado calórico paquidérmico
não me venham com lipos
em meus sentimentos
eles arrebentam qualquer balança
sou
gordo
de
amor
8.
Eu tô dando risada
pra esconder a minha angústia
pra abafar a minha mágoa
pra disfarçar minha inquietude
eu tô dando risada
pra ninguém perceber
que eu peguei o ônibus errado
e não sei onde descer
eu tô dando risada
como as peruas patéticas
que teimam em fingir felicidade
na frente dos flashes
eu tô dando risada
condição sine qua non
pra ser aceito nesse mundo
a qual eu não pertenço
eu tô dando risada
pra ser ¿morninho¿
Às favas com a autenticidade!
São os bichinhos de pelúcia que fazem sucesso ...
eu tô dando risada
comendo canapés comportamentais
e vomitando escondido
eu tô dando risada
nessa festa a fantasia
que se chama vida.
9.
Eu sempre soube que algodão e nuvens
não tinha relação nenhuma
e que a lua nunca foi feita de queijo
sempre questionei o bom velhinho
e achava a cegonha um bicho feio e chato
¿Coelhinho da Páscoa, o que trazes pra mim?¿
Nada, porque eu nunca preparei o seu ninho
nunca fui dormir com contos de fada
e nem tinha medo do monstro
que vivia embaixo da minha cama
acordei pra vida cedo
hoje vivo com sono
10.
Estou vendendo espelhos
de todos os tipos e tamanhos
de modo que vocês possam se ocupar
um pouquinho só
de suas próprias imagens
Estou vendendo espelhos
mas vou logo avisando:
Cuidado
com o que vocês vão ver
Espelhos
para que vocês tirem
um pouquinho só
os pés do meu sofá.
11.
Eu sempre vou adiar minhas dietas
porque vivo em festas
e vou morrer com a eterna e estranha sensação
de que alguma coisa me faltou
meu upgrade é inatingível
minha solidão, incurável
e meus problemas, sem solução
sou imutável como uma mula
e, sem cabeça, não tenho muita paciência
minha ciência é difícil de explicar
e eu sou tão simples ...
Meu corpo, esse não combina comigo
vive dando vexames em público
e eu, morto de vergonha,
a sorrir por aí
acho o mundo pequeno demais
e tenho pressa
mas quero o relógio do tempo
e que ele seja analógico
12.
Eu tenho tanta coisa pra fazer
Que acabo não fazendo nada
eu tenho tanto a dizer
Que acabo ficando em silêncio
eu sou o que querem e o que quero
eu minto às vezes por prazer
às vezes digo a verdade
o que falam de mim, me interessa
e quando não falam, pergunto por quê?
eu sou o que digo e o que dizem
eu me fortaleço
e sempre acho que mereço
um pouco mais de atenção
eu faço piadas
mas não acho graça em nada
de vez em quando.
13.
Em todo os portos que eu ancorar
todas as pontes que atravessar
serei só eu.
Serei de mim, o não.
E os meus pés caminharão sobre os meus passos
e laços de nenhuma forma eu terei
sempre ausente em qualquer lugar
Por toda vida que permitir
da minha água, quiser beber
darei a sede.
Darei de mim, o não.
E o meu sim sempre será um poço sem fundo
e chuvas não encherão o meu talvez
sempre a vez da desilusão.
Toda porta que abrir será a última
toda casa que entrar terá meu dolo
e de todo coração que eu partir
levarei a chave.
14.
Sou base aérea
sem avião
enxergo na escuridão
sou balão japonês
frango xadrez
sem pimentão
sou queijo,
não requeijão
faço feio
perco o jogo
e a razão
sou isso
e aquilo
comida a quilo
indigestão
15. Depto de pequenas reclamações
Não adianta procurar
em lojas diferentes.
O quebra cabeça
da felicidade
vem sempre faltando
uma peça.
16.
Quando eu morrer
o cemitério ficará lotado.
Não façam isso!
Venham aos meus aniversários!
LADO B
1.
O teu corpo é um espelho
e eu, narciso de plantão.
2.
Te imagino gritando por mim
eu, que fico sem voz
toda vez que você passarinha
na minha frente
Te imagino minha
eu, que sempre volto pra casa
contando os meus passos que nem idiota
( te imagino rindo de mim )
Te imagino grávida de todos os desejos
parindo-os num multi orgasmo circense
que eu aplaudo de pé
te imagino no espaço sideral
e eu, o primeiro astronauta do seu corpo
o único com as chaves
do disco voador
tens uma aura psicodélica
uma beleza transcendental
e umas pernas que eu vou te contar!
3.
Meus dedos percorrem seus anseios
e os seus seios me apontam o caminho
me mandam seguir em frente
eu sigo
por entre panos e pelos
rastros e apelos
respirações
mergulho em correntezas turbulentas
despenco de cachoeiras quilométricas
minhas dúvidas evaporam
e eu me afogo
eu nunca fumei
mas adoro o seu beijo de cigarro ...
4.
Seus lábios de brilho fácil
fazem biquinho pra mim
lábios de fumaça e carmim
rebola
mina do bole bole
mexe mexe comigo
rebola e balança
o seu vestido molinho
seus lábios de brilho fácil
enganam caralho
5.
Nada sob a gente além do céu
nada que nos faça interromper
nada pra calar nossos desejos
nada.
nada pra dizer além do básico
nada pra fazer alem do óbvio
nada pra sentir além de tudo
nada.
nada pra escutar, nenhum barulho
nada pra esconder, nenhum segredo
nada pra explicar, nenhum sentido
mas dá.
6.
Quando revi teus olhos depois de tantos
quando refiz meus anos diante os teus
quase fiquei calado tamanho assunto
quase perdi a linha das minhas mãos
quando cheguei distante ao que queria
quando toquei teus braços não imaginava
quase entendi alguns significados
quase troquei algumas definições
e eu podendo lembrar de tudo eu lembro
e eu querendo sonhar contigo eu quero
fazer tudo que me der na telha
7. razão e sensibilidade
guardaessavontadedeabraçaromundoescondeoseutesãobemescondido
costuraessesorrisoemsuabocaapagaobrilhointensoemseuolhar
foge enquanto é tempo
que o amor vem aí
prendeloucamenteessedesejoamarraascordasdosseusvocaisancora
essenavioincontrolávelacalmaatempestadedoseusexo
foge bem depressa
não deixa ele te pegar
fechaosseushumoresprabalançoabateessepassarinhoverdeacorda
dessesonhoincandescenteesquecetodasaspossibilidades
foge aos trancos
dos barrancos do amor
faça por bem querer desistir
ele corre mais rápido.
8.
Sou seu
e busco closes
em cada parte do seu corpo
ele é uma estrada distante
e eu não tenho carro
Sou apenas um poeta de água doce
mas quando sonho você é a minha pequena
e eu tenho cara de galã de cinema
Hein?
Pra que essa tela tão grande?
É só pra te ver melhor
9.
A minha voz é pouca
pro muito que eu grito
no seu ouvido
e você,
rainha do deboche
não-autorizado
surda pra mim
levanta
e sai cantarolando
a música que eu nunca fiz
10.
Você partiu
numa jangada cubana
deixou pra trás
o meu litoral
prefere
tubarões e sede
a me ver navios
11.
... eu só fiquei
com alguns guardanapos
escritos
e uma foto 6 x 8
o resto
você levou
para aeroportos distantes
e cidades cinzas
as suas asas
te levam
a qualquer lugar
as minhas?
Estão cobertas de óleo.
12.
Será que você está no mesmo engarrafamento que eu?
E aquele vinho, será que você bebeu?
Será que você leu a mesma notícia no jornal?
E aquele programa, será que você está ligada no mesmo canal?
Será que você se lembrou da mesma coisa,
quando aquilo aconteceu?
E se te chamarem pra dançar quando tocar aquela música,
você vai se lembrar de nós dois?
Será que você vai me ligar depois?
E o meu cheiro, será que você sente em qualquer lugar?
E se te tocarem daquele jeito, você vai estragar tudo
e começar a chorar?
Será que você vai rir do mesmo jeito que eu?
E se usar uma frase que eu costumava dizer,
será que você vai perceber?
Quanto de mim
será que você
ainda tem?
4:40 PM
Domingo, Outubro 09, 2005
meu email novamente, enquanto não reformulo o blog:
fvreis@predialnet.com.br
11:01 PM
Domingo, Outubro 02, 2005
hoje acabou o "encontros com a palavra" evento literário em niterói. bem, das coisas que eu fui, tava tudo a meia bomba. pq, vai saber pq. niteroiense é um bicho muito esquisito. vive reclamando que não rola nada de interessante na cidade, mas qdo rola, não prestigia. aí fica dando margem a essa gente que quer proibir micareta, caldeirão do huck ( um boçal deu uma declaração num jornal de bairro falando mais ou menos assim: " conseguimos expulsar a gravação do programa daquele luciano huck daqui " o mesmo programa que na abertura mostrava nossa cidade para o Brasil inteiro ... ), sei lá, uma gente que ainda acha que niterói é só cidade dormitório. qdo eu fazia eventos tentava trazer coisas diferentes e nunca era bem aceito. quem tenta fazer alguma coisa diferente nunca tem o retorno esperado. vide esses encontros gastronômicos ( o da fortaleza sta cruz foi um fiasco ). o que será que falta? eu, particularmente, acho que falta educação desde cedo. e fico impressionado como uma ponte faz diferença. acho que aqui ainda é uma roça com prédios altos. e fica esse povo abestado babando pelos shoppings com grife da moreira césar ...
10:55 PM
" custa muito ensaio ser espontâneo.
passei a vida buscando a verdade.
quando a encontrei, não mudou nada.
era mais um morto para carregar.
podes apagar a escrita,
eu me leio no escuro. "
Carpinejar
10:39 PM
tinha prometido publicar trecho de conto inédito do Nelson Rodrigues, lido pela filha dele, Sônia, num dizer poesia desses ... bem, como já não é inédito, publico trecho do novo livro dela - tb não inédito - mas que fala do pai ...
NELSON RODRIGUES
"Meu horror a casamentos falidos vem da dúvida de uma moleca brigando com o pai. Desistindo do pai durante décadas. Resgatada para o pai pela literatura, por ouvintes compassivos, por um amante apaixonado.
Que tipo de homem escolhe um casamento que não funciona e permite que sua decendência seja exposta e humilhada?
O homem que escreveu Toda nudez será catigada. No ano em que minha mãe tentou se matar pela primeira vez."
"Posso amar meu pai porque deixei de ser vítima dos erros dele, das injustiças que ele cometeu, não sou mais vítima do que ele não foi capaz de resolver. O que prova, para mim, mais uma vez, que as pessoas que nos fazem mal, às vezes, nos fazem bem.
Foi o acúmulo de humilhações que me empurrou para a arena e me levou para a literatura, meu sanatório de bolso. Foi contar histórias, publicar histórias, ouvir histórias dos que confiam em contadores de histórias que me fez entender que a paixão dos meus pais não desaguou em dor porque era paixão. Não é simples causa e consequência. A combinação é mais complexa, é difícil prever o que se acha, o que se perde, para viver uma paixão."
2:06 PM
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